Uma reflexão para o novo ano por Raquel Elana
Neste ano que se finda, tive a oportunidade de trabalhar mais naquilo que chamo de formação da consciência missionária. Isto incluiu divulgação ou promoção da obra missionária, adoração missionária, seminários, e muitas, muitas visitas. Foram mais de 60 igrejas (para conferir minha lista de eventos e igrejas visitadas, dê uma olhada no meu blog: www.myspanishguitar.blogspot.com) em todo o Brasil. Em algumas igrejas, ministrava de manhã, à tarde e a noite. Em alguns lugares estava cada dia numa cidade diferente. Foi um ano e tanto, visto que tinha outros projetos a alcançar. Entretanto, precisaria de mais tempo para contar os testemunhos deste trabalho. Em poucas palavras posso afirmar que o melhor dos frutos que pude assistir foi: salvação de vidas, arrependimento de líderes e o esforço de igrejas para participarem de forma mais prática na atuação missionária da nossa convenção. Este foi parte do trabalho que desenvolvi neste ano. Digo “parte”, porque ninguém trabalha sozinho. E se hoje a nossa junta administrativa de missões tem muitas vitórias para contar, é porque muitas sementes foram lançadas no passado. Glória a Deus por tudo.
Em minha caminhada pude perceber muitos aspectos em comum entre nossas congregações. Não importa se nossas igrejas estão no norte ou no sul do país: somos muito semelhantes.
Algo muito comum no nosso meio são os temas que definem a visão de trabalho da igreja ou que expressam a “palavra profética” lançada sobre uma comunidade de fiéis. Aliás, todo o final de ano é a mesma coisa. Líderes reúnem-se, montam seu plano de trabalho e “decretam” sobre a igreja um tema ou o “mandato” do Senhor para o novo ano que se aproxima. Assim, milhares de igrejas em toda a nação, pintam sobre os seus altares ou nas placas de entrada dos templos, o moto daquilo que deve ditar o caminhar de seus membros para alcançar os objetivos e a visão do líder.
Para mim a cada ano esses temas parecem que são os mesmos, mudam apenas de endereço. O mais importante é que expressam muito bem a teologia daquele determinado povo e o que desejam ansiosamente alcançar.
Tome como exemplo, alguns desses temas bem conhecidos:
2011 - O ano da Promessa, 2011 - O ano do Crescimento,
2011 – O ano da Vitória ou 2011 – O ano da Multiplicação
Você já deve ter visto algum destes por aí. Mas o que haveria de errado com eles?
Bem, essa prática seria muito saudável se não fosse o momento que a Igreja Brasileira atravessa. Há muita coisa boa acontecendo, mas há algo errado também.
Provavelmente não sou a única a separar um dia antes do fim do ano para colocar diante de Deus minha vida e minhas questões. Oro pela igreja, por nossos líderes e por muitas necessidades. Porém, num dia desses, enquanto orava por questões bem particulares, o Senhor me deu um moto para o ano de 2011. Queria muito poder dizer que foi algo relacionado à vitória, a prosperidade ou as promessas. Mas na verdade, senti-me um pouco como o profeta Jeremias. Ele me acompanhou no Oriente Médio e antes mesmo que eu fosse ao campo revelou-me:
“Antes que eu te formasse no ventre materno, eu te conheci, e, antes que saísses da madre, te consagrei, e te constitui profeta às nações” (Jeremias 1.5)
Este profeta chorão parece que nunca tinha nada de positivo para transmitir ao povo. Na verdade, o povo só queria ouvir o que lhe convinha, pois estava obscurecido pelo pecado e seus prazeres. Por isso mesmo, o chorão não era muito popular. Contudo, naquela manhã enquanto orava, o que o Senhor me falou sobre o ano novo foi o seguinte:
“Acerca dos profetas. O meu coração está quebrantado dentro de mim; todos os meus ossos estremecem; sou como homem embriagado e como homem vencido pelo vinho, por causa do Senhor e por causa das suas santas palavras. Porque a terra está cheia de adúlteros e chora por causa da maldição divina; os pastos do deserto se secam; pois a carreira dos adúlteros é má, e a sua força não é reta. Pois estão contaminados, tanto o profeta como o sacerdote; até na minha casa achei a sua maldade, diz o Senhor. Portanto, o caminho deles será como lugares escorregadios na escuridão, serão empurrados e cairão nele; porque trarei sobre eles calamidade, o ano mesmo em que os castigarei, diz o Senhor”. (Jeremias 3.9-13)
Como o meu coração entristeceu! Esta não seria a primeira vez que o Senhor me avisava de algo terrível. Na Jordânia mesmo, o Espírito Santo já havia me falado sobre a perseguição que haveria de vir e que aconteceu. E agora mais uma esta vez.
A expressão o ano mesmo em que os castigarei saltou-me às vistas. Mas você precisa concordar comigo. Seja sincero! Não é de hoje que vemos a igreja cheia de pecado. Tanto profetas quanto sacerdotes estão contaminados e há maldade no coração daqueles que deviam expressar compaixão e amor. Ao invés disso, vemos ministros maquinando vingança e alimentando uma sórdida ganância. Alguns não possuem vergonha de usar os meios de comunicação para exporem a sujeira e a política por trás dos grandes ministérios. Muitas vezes, a situação é tão grotesca que preferimos não acreditar que aquele que estende a mão, orando por nós é capaz de tanta maldade.
É triste constatar que ao mesmo tempo em que nunca houve tanta benção e prosperidade sobre nossas igrejas, nunca houve tanta difamação, escândalo e mau testemunho. Eu não sou nem de longe uma profeta como Jeremias. Mas é certo que o pecado do povo de Deus está subindo as narinas do Altíssimo. E o dia da justiça também chegaria. Se virá no novo ano, não posso afirmar. Mas posso orar para que haja mudança. Pois haverá um basta para cada mau líder que fez desviar do bom caminho os pequeninos. Haverá uma sentença para cada caluniador e mentiroso que com propósitos vãos desferiu golpes contra os servos de Deus. Esta sentença afetará tanto os grandes ministérios quanto os não tão grandes assim. E o Senhor que conhece a cada coração, cuidará do seu povo, do rebanho fiel.
Até na História vemos precedentes assim: no meio do flagelo, seja ele físico ou espiritual, o Senhor não somente cuida, mas levanta verdadeiros profetas. A sua obra não ficará parada e Ele em breve virá. Então que sejamos estes profetas, o remanescente fiel.
Sei que uma mensagem como esta, não agrada a muitos. Mas como disse, Jeremias passou por isso de uma forma muito mais sofrida.
Enquanto muitos falam o que o povo quer ouvir e vendem palavras proféticas bajuladoras para toda a nação, precisamos pedir a misericórdia do Senhor. Se você conhece um líder que tem se desviado do caminho reto e se vendido as motivações sedutoras do poder, ore por ele. Se você conhece um pastor ou ministro que tem usado de injustiça e falta de compaixão e provocado muitos estragos numa congregação, ore por ele. Se você é um líder que tem sido tentado ao adultério e promiscuidade, arrependa-se. Ainda há tempo. Se você tem buscado um crescimento a todo o custo, reveja suas motivações. Afaste-se das tentações e proteja-se do o orgulho. Até a melhor pessoa e o coração mais puro é tentado por ele. Agora, se você é um desses líderes, que se acha especial ou chamado para ser um Super Apóstolo-Patriarca de Jerusalém menor só que Jesus (ou como ele) e que vive cercado de extravagâncias materiais, arrependa-se, mas se precisar, não hesite em procurar ajuda psicológica.
O resto de nós busque santificação, confessando todos os dias as nossas falhas. Amemos ao próximo e até os nossos inimigos. Preguemos a Palavra em todo o tempo porque Ele vem. Ele mesmo julgará todas as cousas e trará à luz o que estiver sendo mascarado no coração do homem. O resto deixemos nas mãos de Deus...
myspace da missionaria Raquel Elana: www.myspace.com/raqueldeoliveira

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